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Política


Bancada capixaba vê cenário propício para aventureiros em 2018

Deputados e senadores capixabas comentam pesquisa que mostrou que 60% da população acha trabalho do Congresso ruim ou péssimo

07.12.2017

 
Brasília - Plenário da Câmara dos Deputados
Brasília - Plenário da Câmara dos Deputados
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A desaprovação recorde do trabalho dos parlamentares no Congresso -60% dos brasileiros veem o trabalho de deputados e senadores como ruim ou péssimo, segundo o Datafolha - torna o cenário das eleições de 2018 propício para o surgimento de candidatos "não políticos" e "aventureiros", de acordo com avaliação dos próprios parlamentares. Para os integrantes da bancada capixaba, o resultado ruim já era algo esperado.

A rejeição que, segundo eles, também se estende a toda a classe política, deve-se às inúmeras menções de parlamentares em esquemas de corrupção denunciados na Operação Lava Jato. A projeção negativa se acentua ainda mais quando nomes de destaque estão sob os holofotes das denúncias, como os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves. Isso sem contar o ex-presidente do Senado Renan Calheiros e o atual presidente da Casa, Eunício Oliveira. Os quatro são filiados ao PMDB.

"A população vê todas aquelas caixas com os R$ 51 milhões do ex-ministro Geddel (Vieira Lima), vê a política nas páginas policiais e acaba criminalizando a classe como um todo. Ao mesmo tempo, tem candidatos usando essa imagem negativa para se beneficiar, pregando a anti-política, como a que levou João Doria a ganhar em São Paulo. Tenho medo de que no ano que vem a gente encha a política de palhaços, jogadores de futebol e cantores, se beneficiando desse voto de protesto", afirma o deputado federal Paulo Foletto (PSB).

Para o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT), a maior preocupação é com uma quantidade de votos brancos e nulos na próxima eleição ou, ainda, um desinteresse dos eleitores em buscar candidatos que os agradem.

"A democracia não se faz sem debate político. Não tem salvador da pátria, não tem quem queira ser candidato e dizer que não está na política. Todos nós somos políticos. O que não pode é ter político carreirista, que não tenha outro meio para sobreviver. O eleitor no próximo ano terá que escolher olhando não só se o candidato está envolvido ou não em corrupção, como também o espírito público, o preparo que o político tem para trazer algo de bom para as pessoas", conta o pedetista.

O deputado federal Jorge Silva (PHS) vê a relação "promíscua" entre "parte da classe política" com "parte do empresariado" como outro fator determinante para a rejeição do brasileiro ao Congresso.

"A caneta está na mão do eleitor, eles têm a oportunidade de separar o joio do trigo. Vivemos em um tempo onde tudo acontece em tempo real, tudo que fazemos na rede social, no plenário ou na rua está sendo visto pelas pessoas. Acho que isso levará a gente para um processo de renovação política", analisa.

A deputada federal Norma Ayub (DEM) diz que a maior transparência que a atividade política proporciona hoje mostrou à população algo que "há 20 anos passaria batido".

"O que nos escandaliza hoje é algo que acontecia há mais de 20 anos no Congresso. Infelizmente a corrupção sempre existiu, a diferença é que agora a gente consegue ver. Não sei se isso é melhor ou ruim", argumenta.

O senador Sérgio Rogério de Castro (PDT), que está substituindo o senador Ricardo Ferraço (PSDB) após o tucano se licenciar do mandato, está em seu primeiro mandato, mas considera o resultado da pesquisa um sinal de advertência, tanto para eleitores quanto para os eleitos.

"Se está ruim, é porque votamos mal, escolhemos mal. Eu nunca tinha exercido nenhum mandato e ao chegar aqui, no Senado, vi que do mesmo jeito que tem muita gente ruim, também tem muita gente boa. O eleitor precisa ter uma iniciativa maior na política, participar mais, não adianta só dizer que está ruim. O mundo de hoje permite a gente pesquisar com maior facilidade quem são os candidatos, é hora de o eleitor pesquisar mais e mudar de postura", defende.

Para melhorar a avaliação do Congresso, o deputado federal Evair de Melo (PV) acredita que o melhor é o Legislativo conquistar maior independência em relação ao Executivo.

"Enquanto tivermos um Parlamento que seja um 'puxadinho' do Executivo, não poderemos esperar muita coisa. Esse modelo faliu. Temos que acabar com emendas parlamentares e indicação política de deputado para cargos no Executivo. Sem projeto de país, não tem Parlamento sério. Virou casa de favores e trocas", escreveu, em nota.

É o que sustenta também o deputado federal Carlos Manato (SDD). O parlamentar é outro que se mostra preocupado para as eleições de 2018.

"Fico triste com a avaliação, mas ela é fruto do que plantamos, somos culpados por isso. Estamos desacreditados, mas só quem pode mudar esse cenário somos nós. Essa confiança a gente só recupera com muito trabalho, com integridade, sem voltar para mídia com presidente cassado por corrupção, sem parlamentar cassado e sem dinheiro em caixa ou cueca", lembra.

Reflexo

O deputado Helder Salomão (PT) diz que a avaliação negativa é reflexo da corrupção presente no Legislativo. "Há razões concretas: a primeira é que a maior parte dos parlamentares está envolvida em processos de corrupção. Vários citados respondem a processos. A corrupção está muito presente no Parlamento e isso aprofunda a avaliação negativa. Essa pra mim é uma razão forte que aprofundou essa avaliação negativa. Outra é que o povo está vendo que a maior parte do Parlamento está de costas para o Brasil, votando projetos que não interessam ao povo, inclusive agora querendo votar a reforma da Previdência como o governo quer. E o Parlamento engavetou duas denúncias contra Temer."

Para o senador Magno Malta (PR), a pesquisa revela a rejeição à "classe política dominante", que se revelaram "politiqueiros, envolvidos com corrupção e sujeira". "Então, esta meia dúzia, que está envolvida com a Lava Jato e estas coisas, acabaram arrastando todo mundo para a vala comum, mas não reflete a verdade, por exemplo, quando você vê redes sociais e no meu caso não é assim. Eu olho para uma pesquisa desta e minhas redes sociais de milhares de pessoas não refletem este tipo de coisa", afirma.

fonte https://www.gazetaonline.com.br

 

 

 

 

 

 

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