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A travessia de Fabrício Petri

Por Ilauro de Oliveira

29.04.2019

De uma herança de R$ 100 milhões em dívidas no início do governo, passando pela queda de milhões de reais na receita municipal após a paralisação da Samarco, o trajeto do prefeito Fabrício Petri (PMDB) é impressionante à frente da prefeitura de Anchieta.

O reconhecimento dessa superação foi o prêmio dado pelo Sebrae à suas iniciativas por ter implantado um ambiente favorável ao empreendedorismo, alavancando a criação de empregos, através de rapidez e eficiência na abertura de novos negócios no município.

O Programa Anchieta Criativa e Empreendedora tem 10 ações focadas no desenvolvimento econômico e inclusão social. E com o prêmio do Sebrae, deixa de ser um mero carro chefe de discurso governamental e se consolida, de fato, como uma ferramenta indispensável ao ambiente econômico. Por exemplo, a abertura de um novo MEI (Micro Empreendedores Individuais) dura média de 15 minutos.

Como recordar é viver, não custa lembrar que quando assumiu, a prefeitura devia fornecedores, não emitia algumas certidões para celebrar convênios, estava com água, luz e telefone cortados em vários prédios, frota sucateada, entre outras dificuldades. Reorganizar a máquina, cortando gastos e cargos comissionados, foi a primeira medida, seguida de um plano de recuperação dessa terra praticamente arrasada.

Para desenhar bem o cenário de Anchieta quando Fabrício Petri assumiu, seria mais ou menos assim: pensa em uma pessoa que tinha um prêmio da mega sena até 2017, mas, em seguida, perdeu todo esse dinheiro e teve que readequar sua vida à uma nova realidade totalmente diferente da anterior.

Foi assim. O prefeito anterior, Marquinhos Assad (PSL), administrou com esse dinheiro e com o caixa cheio. Petri pegou o cofre vazio e teve de se virar. E parece que se virou. Quando cenário eleitoral se desenhar em 2020, quem quiser tomar o lugar do prefeito, que pode disputar a reeleição, terá de sair do discurso vazio e explicar tin tin por tin tin como teria feito agora sem esses milhões da Samarco e como fará, sem os mesmos milhões.

O poeta Bertold Brecht ensina que quando alguém chegar surfando na crista da onda em que você se afogou, e tentar falar das suas fraquezas, não poderá se esquecer do tempo sombrio que escapou.

Petri não surfou e nem vem surfando em ondas de facilidades. Pegou o mar de Anchieta agitado. Mas não se afogou. Com destreza, ousadia e criatividade, mas principalmente com uma grande equipe de trabalho, tem conseguido sobreviver, e bem, aos temporais que desafiam os administradores públicos.

Falando assim parece que Anchieta é uma maravilha e que o comércio e o setor imobiliário não sofrem os horrores do pós Samarco. Sofrem sim, claro! Mas antes de tudo, a prefeitura de Anchieta sofreu também. E ela tem conseguido sobreviver e até ter o reconhecimento do Sebrae por suas iniciativas.

Diante desse exemplo é inequívoco dizer que os comerciantes, os investidores, a população em geral, também vencerão esse tempo de novos desafios, e sobreviverão ao temporal que desarrumou a vida financeira de Anchieta.

O mar da história é agitado, alerta Maiakóvski, poeta russo. Mas, me seguida nos alenta: as ameaças e as guerras, haveremos de travessá-las, rompê-las ao meio, como uma quilha corta as ondas.

É isso que tem acontecido em Anchieta, sob as mãos desse jovem Fabrício Petri. Sem dúvida, um belo político dessa nova geração capixaba. Herdou do pai a vocação para a vida pública, mas não se refugiou nessa herança e nem no sobrenome. Compreendendo os desafios do agora, lançou-se ao mar para vencer o momento que impõe a dura luta. E tem conseguido.

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“...Já não sonho, hoje faço, com meu braço o meu viver” – Travessia (Milton Nascimento

 

 

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