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Neném, o comendador do povo de Cachoeiro

Por Ilauro de Oliveira

26.06.2019

Nesta noite imortal e inesquecível de terça-feira, 25 de junho, abraça a todos nós o mais profundo sentimento de fraternidade que tanto habitava o peito do poeta Newton Braga, homem que sonhou uma Festa de Cachoeiro de toda gente... dos mais simples aos mais poderosos. E neste 2019, ela aconteceu assim, tal qual seu sonho.

A antena delicadíssima do poeta captou pedaços de toda alegria cachoeirense quando assistiu o prefeito Victor Coelho e a primeira dama Keila entregarem a Comenda Rubem Braga ao nosso querido Hermogênio Lucas Filho (conhecido popularmente como Neném Doido).

Ali, naquele momento, reavivou em nós o mais profundo sentimento bairrista, mostrando que uma festa pode ser feita em qualquer lugar e por qualquer povo, mas a festa de toda gente, e que tanto sonhou o poeta Newton Braga, só pode existir aqui, em Cachoeiro de Itapemirim, sua terra Natal.

Homenagear Neném é homenagear e abraçar toda essa gente anônima, que corre todo dia tentando vencer uma vida de dificuldades tantas. Essa gente que nem se vê, como cantou tão bem Vinicius de Moraes na sua Marcha de Quarta-feira de Cinzas. Essa gente que tanto preocupava e atormentava o sentimento do poeta Newton, porque se tratava de um homem que deseja a todos uma felicidade universal.

A poesia fraternal de Newton Braga conhece o coração dos cachoeirenses e suas necessidades, assim como as pernas cansadas de Neném conhecem as ruas e vielas de Cachoeiro. Correm juntas todos os dias, olhando e cuidando de nós, gente simples que deseja, quem sabe em algum tempo, ser grande como eles são.

Ao reverenciar Neném, Cachoeiro reverencia a toda sua gente, toda sua história, todos os seus recantos, todas as suas personalidades. A cidade estica o braço e puxa para perto de si todos os seus filhos, mostrando que somos importantes e temos o dom de ser capaz e ser feliz, do nosso jeito e maneira.

Neném é o comendador do povo de Cachoeiro. De todas as personalidades homenageadas nesta noite, nenhuma delas se identifica mais e é tão querida pelos cachoeirenses quanto ele.

Por um dia, essa gente que nem se vê, acabou sendo vista e acabou se reconhecendo através de Neném. Um homem do povo, igual a todos nós, e diferente de todos nós... mas que agora é comendador!

E para comemorar pode perguntar: “Quer cigarro, Neném?”. Acho que ele vai aceitar!

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“E só o que eu tenho, e que vós não tendes, -- que consolo triste! – é esta sensibilidade dolorosa que se comove com misérias que às vezes mesmo os que as carregam desconhecem. Esta sensibilidade que é uma antena delicadíssima, captando pedaços de todas as dores do mundo, e que me fará morrer de dores que não são minhas” – Fraternidade (Newton Braga)

 

 

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