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Falta de transparência nos programas da Prefeitura de Itapemirim espanta até produtores

Por Ilauro de Oliveira

19.07.2019

Por interesse específico na licitação que resultou na contratação da empresa Agrosolo Produtos Agrícolas para fornecer fertilizantes à Prefeitura de Itapemirim, enviei perguntas ao município, via e-mail, no último dia 11 de julho. Não fui respondido.

O valor total do contrato é de R$ 2.895.000,00, aparentemente uma bagatela, a considerar o cofre milionário de Itapemirim. Talvez, por isso, o desinteresse em esclarecer aos leitores e aos próprios munícipes detalhes simples, tipo: quais os critérios para fornecimento desse fertilizante e quais programas tudo isso irá atender?

O mesmo fornecedor (Agrosolo) também venceu outra licitação (Contrato nº 120/2019) no valor de  R$ 7.264.850,00 para fornecimento de ração para gado leiteiro. Somando-se os dois contratos, apenas essa empresa passa dos R$ 10 milhões. E informações dão conta que a prefeitura está em fase de licitação de nova empresa para compra de mudas de cana de açúcar pelo valor estimado de R$ 2.175.960,00.

Embora citado, o nome da empresa, a princípio, não é importante. Importante é como se usa e para quem se usa o contrato. E, para surpresa minha, a falta de transparência, ou falta de pressa em esclarecer nomes de programas, números de pessoas beneficiadas e quais as contrapartidas que a administração municipal ganha ao fazer tanta doação, não é só preocupação minha.

Visitando o município onde nasci, cresci, tenho residência e frequento assiduamente, diversos produtores rurais comentam assustados sobre o volume de dinheiro gasto pela Prefeitura de Itapemirim, destacadamente a Secretaria de Agricultura, com tais distribuições, sem saberem, efetivamente, os benefícios dessas generosidades para a população.

Um desses chegou a enumerar lista de doações e valores que teriam sido gastos nos últimos anos. Na próxima semana vou enviar nova solicitação à prefeitura sobre programas rurais e gastos, exatamente para que não paire na cabeça do produtor dúvidas sobre quanto se gasta e com quem se gasta. E para não ser leviano jornalisticamente, não vou publicar aqui a tal lista. Vamos tentar números oficiais.

Um outro produtor especulou o montante de R$ 40 milhões só em farelo, nos últimos anos. Não há evidências e nem confirmação desse site sobre esse valor, mas a prefeitura pode responder sem dificuldade. Bastando que queira. Também será solicitada tal informação sobre gastos com o farelo.

Ainda, especificamente, sobre a doação de farelo aos produtores, um outro produtor procurado chegou a colocar em dúvida a eficácia do ato e deixou no ar uma pergunta simples também: a produção de leite cresceu? Em quanto?

É responsabilidade jornalística por luz à determinados temas, exatamente para que não haja dúvidas sobre o que se faz com o dinheiro público. Por isso, neste caso, mais uma vez é urgente que a Prefeitura de Itapemirim apresenta respostas simples à sociedade. Quanto se gasta? Quais programas? Números de beneficiados? Contrapartida?

Há ainda informações a se confirmar. A administração municipal tem um programa de distribuição de pintinhos? Distribuição de bombas de água? De placas solares?   De calcário? De feno? De milho? De sementes de capim? De embriões? Quanto se gasta com esses programas, se é que existem? Como esses programas aumentaram, e em quanto aumentaram, os números no campo?

Cresci vendo meu acordar as 3 da madrugada e indo para o curral tirar leite. Eram tempos difíceis. Por isso sei o que é ser do campo, sei o que é ser produtor rural, e sei que é preciso respeitar e colaborar com o homem do campo.

Mas o que se chama a atenção aqui, e assusta, é ver algumas pessoas do campo questionando métodos de apoio a eles mesmos. Quando o produtor rural diz que tanta distribuição não tem se revertido para melhorar os números do campo e a produtividade, aí talvez seja a hora da Prefeitura de Itapemirim mostrar o inverso. Mostrar que esse trabalho assistencialista se reverte favoravelmente. Senão para todos, pelo menos para alguns.

É dever da administração, muito mais que doar, apresentar números sobre o que doa, a quem doa, como doa, quanto doa, e quanto custa essa doação. Porque não custa lembrar que isso não acontece pela pura e simples generosidade do gestor, mas porque o cofre permite. Contudo, o dinheiro do cofre não é do gestor, é do contribuinte.

O prefeito Dr. Thiago Peçanha (PSDB), que possivelmente irá disputar a reeleição, deve à sua gestão e aos seus munícipes clareza nos seus atos. Não pode imaginar em ir a uma disputa com nuvens negras de desconfianças sobre as ações da sua administração.

É preciso ter transparência agora, sob pena de, lá na frente, pagar o preço pela falta dela. E esse preço se paga primeiros nas urnas, depois em outras instâncias, caso seja o caso.

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“Pra minha mãezinha já telegrafei / E já me cansei de tanto sofrer / Nesta madrugada estarei de partida / Pra terra querida que me viu nascer / Já ouço sonhando o galo cantando, o inhambu piando no escurecer /  A lua prateada clareando as estradas, a relva molhada desde o anoitecer / Eu preciso ir pra ver tudo ali / Foi lá que nasci, lá quero morrer” – Saudade da minha terra ( Belmonte/Goiá)

 

 

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Ilauro de Oliveira

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