Home    Colunista    Ilauro de Oliveira

Alexandre Bastos pode sair do PSB, mas o PSB não sairá dele

Por Ilauro de Oliveira

21.11.2019

A nossa trajetória, construída ao longo dos muitos anos, por vezes nos impõe digitais imutáveis. A forma como nos comportamos, as pessoas com as quais nos relacionamos, o modo de vida que levamos, e tudo que construímos marcam esse caminho. E mudar essa história nem sempre é fácil.

O mercado político de Cachoeiro se surpreende quando vê o vereador de seis mandatos Alexandre Bastos, do PSB, entregar a presidência do partido, romper com o prefeito Victor Coelho, que é do seu partido, e anunciar que poderá ser candidato a prefeito por um outro partido.

Não que não possa. Na vida, como na política, podemos escolher caminhos. Mas no campo político, onde o cotidiano se constrói  com dinâmicas próprias, nem sempre sendo compreendido pelas pessoas que não acompanham os seus movimentos, está, pelo menos ainda, pouco compreensível essa ruptura entre Bastos e o PSB.

O vereador de seis mandatos e que tem história linda dentro do partido terá de ser mais contundente, ou mais explícito, para justificar o fim dessa relação. Houve traição? Descontentamento? Ou são apenas decisões circunstanciais?

Não que para o eleitor essa explicação seja necessária na hora de votar no Alexandre Bastos para prefeito. É como disse no terceiro parágrafo, quem não respira o ambiente político e suas dinâmicas próprias, pouco se importar com o que acontece dentro dos partidos e etc. Ele vai, vota ou não vota, e depois retoma sua vida.

Mas, para Alexandre Bastos o problema é outro. Quando se pensa em construir um projeto grande como é disputar uma prefeitura, antes de chegar no eleitor e pedir o voto, ele precisa passar por um corredor polonês com partidos e  lideranças partidárias.  Antes de convencer o eleitor do seu projeto, ele precisa convencer o mundo político. E nesse universo não pode restar dúvidas, senão ninguém embarca no projeto.

Por isso, os pingos nos is precisam ser colocados. Houve traição na relação Bastos/PSB? Por que a ruptura de alguém que até ontem era a cara do PSB em Cachoeiro? Alguém que até ontem era considerado o braço direito do governador Renato Casagrande em Cachoeiro? Alguém que foi eleito presidente da Câmara de Vereadores com apoio da base aliada de Victor Coelho e governou a Câmara, por dois anos, alinhado politicamente com o prefeito?

Até ontem Alexandre Bastos era governo municipal. Até ontem ele era Victor Coelho. Até ontem ele era PSB. Até ontem ele era Casagrande e seu projeto. Ano passado Alexandre Bastos disputou uma eleição para deputado estadual com o apoio do PSB. E antes dessa, outras eleições. Existe um DNA do PSB nele, e mesmo que ele saia do PSB será difícil o PSB sair dele.

Tem mais. A história entre Alexandre e Victor se faz forte desde a morte do ex-deputado Glauber Coelho. Alí, a família Coelho continuou com o projeto Glauber via Alexandre, apoiando-o para deputado em 2014. Depois, em 2016, Alexandre apoiou Victor para prefeito. São seis anos juntos.  O que estaria tão ruim no governo para esse afastamento inexplicável?

Essas são considerações necessárias por vários motivos. Um deles é que quando se fala em PSB e Alexandre Bastos remete-se a uma relação de décadas. Seria num comparativo rápido, como se o ex-prefeito Carlos Castelgione anunciasse sua saída do PT, ou o ex-prefeito Roberto Valadão desse adeus ao MDB. E também porque Bastos é uma pessoa do bem, pessoa querida na política cachoeirense e que precisa refletir muito sobre o passo que se quer dar.

É muito fácil para velhos caciques da política local, como Theodorico Ferraço (DEM), que já se colocou contra o prefeito Victor Coelho, estimularem Alexandre Bastos a uma disputa. Difícil é ajudarem a pagar a conta de uma campanha eleitoral para prefeito... difícil é subir o morro e pedir voto com o candidato... difícil é estar junto para reconstruir uma nova história política, caso aconteça uma derrota.

 A trajetória de Bastos no PSB é impecável: vereador em 2000 (1032 votos), 2004 (1880 votos), 2008 (1644 votos), 2012 (1640 votos) e 2016 (1501 votos). No currículo tem ainda: suplente de deputado federal em 2002, com 15.626 votos; suplente de deputado estadual em 2010, com 4.591 votos; suplente de deputado estadual em 2014, com 11.072 votos, e suplente em 2018 com 13. 282 votos.

Separar-se dessa história, mais que coragem, requer avaliação profunda. E saber se os motivos que levam a esse caminho são mesmo insuperáveis ou se há reconsideração.

 

 

Comentários


Ilauro de Oliveira

ilauro01@gmail.com

 

 

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.

© Atenas Notícias e Opinião.
Todos os direitos reservados.

Produção / Cadetudo Soluções Web