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A ascensão de Erick Musso e o projeto do Republicanos para enfrentar Casagrande

Por Ilauro de Oliveira

01.12.2019

A reeleição surpresa de Erick Musso (Republicanos) para continuar presidindo a Assembleia Legislativa até 2023, revela o que já se sabia há muito nos bastidores daquela Casa: o grupo do Republicanos trabalha forte para chegar ao Palácio Anchieta, em 2022.

E os acontecimentos da tarde deste sábado (30) mostraram que os movimentos do partido causaram e ainda causarão efeitos impactantes dentro da política capixaba.

Relembrando os fatos de ontem, 30 de novembro:

O deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) comunica na sua página do Facebook que estava deixando a liderança do Governo do Estado na Assembleia Legislativa.

“Comunico a todos que deixo no dia de hoje a liderança do governo, por motivos pessoais, e que continuo trabalhando pela harmonia na política do ES. Agradeço a todos que comigo colaboraram durante o exercício da liderança”.

Em seguida o governador Renato Casagrande (PSB) age rápido e anuncia, via Twitter, o novo líder. 

“Fiz o convite para o deputado Estadual Freitas, e ele aceitou, para assumir, a partir deste momento, a liderança do governo na Assembleia Legislativa”.

As duas postagens na tarde deste sábado (30) deixam no ar a certeza que algo não anda bem na política estadual desde a reeleição surpresa do presidente da Assembleia Legislativa. Percebe-se, claramente, que a saída de Enivaldo não foi amigável. As duas postagem são reveladoras pelo que foi dito e pelo que não foi dito.

Primeiro o que não foi dito. Na mensagem do governador, sequer houve a citação do nome do líder anterior, muito menos uma simples palavra de agradecimento. Renato foi curto e grosso ao anunciar a  troca.

E depois uma frase na postagem de Enivaldo. “...continuo trabalhando pela harmonia na política do ES”.

Então não há harmonia na política do Espírito Santo? 

Essa frase, dita nesse momento em que acontece a reeleição de Musso, e sabendo-se que ela desagradou diretamente ao Governo, e sabendo-se, ainda, que por causa dela houve a mudança na liderança do Governo, deixa claro que hoje já existe uma disputa antecipada do Palácio Anchieta.   

A reeleição de Musso fortalece-o para voos políticos mais altos, algo como ser governador do Estado.  E mostra também que a base governamental na Assembleia está fragmentada, fragilizada ou mal liderada. Tanto é assim que o líder foi trocado.

Já há algum tempo, uma fonte que transita com desenvoltura na Assembleia Legislativa, chamava a atenção para os movimentos do Republicanos na Casa, desde a primeira eleição para ser mais preciso.

Dizia que o grupo trabalhava em três frentes. Uma eleger o deputado federal Amato Neto (Republicanos) prefeito de Vitória em 2020. Em seguida, reeleger Erick Musso na presidência. E terceiro, ganhar o Governo do Estado. Como (pelo menos na matemática) a ordem dos fatores não altera o produto, até agora mudou apenas um fator: a reeleição aconteceu primeiro que a eleição de Amaro.

Casagrande, que é candidato natural à reeleição, tem uma ameaça real hoje: chama-se Erick Musso. Esse jovem político chegou à presidência pela primeira vez pelas mãos do então governador Pulo Hartung (sem partido), trabalhado como um antídoto às ameaças de Theodorico Ferraço (DEM) ser presidente da Assembleia mais uma vez. Desde então, Musso assumiu papel protagonista na política capixaba.

Com Hartung longe da política estadual, focado em um projeto nacional, e com Carlos Manato (PSL) tentando construir um projeto alternativo para 2022, mas sem consistência até então, a política estadual trazia a possibilidade de reeleição do governador como algo bem encaminhado e com poucos riscos. Mas os movimentos atuais mostram que não será bem assim.

O jogo passará pelo desempenho de Amaro Neto nas urnas ano que vem. Se o PRB colocar as mãos na prefeitura da capital, o próximo alvo já está definido. 2022 é logo ali e o Republicanos só pensa naquilo!

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“Ora, direis ouvir estrelas, certo perdeste o senso / Eu vos direi, no entanto /Enquanto houver espaço, corpo e tempo e algum modo de dizer não / Eu canto” – Divina Comédia Humana (Belchior)

 

 

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