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“O primeiro é manter o Estado organizado, as contas em dia”, diz Dr. Emílio Mameri

Com base eleitoral em Rio Novo do Sul, Mameri obteve 11.465 votos e irá exercer o primeiro mandato na Casa

Por | 10.01.2019

Foto: Tati Beling

O portal da Assembleia Legislativa (Ales) dá sequência a série de entrevistas com os deputados estaduais eleitos para a próxima Legislatura (2019-23). Dessa vez o convidado é o Dr. Emilio Mameri (PSDB), que irá exercer seu primeiro mandato na Casa.

Com base eleitoral em Rio Novo do Sul, Mameri obteve 11.465 votos. Ele contou um pouco da experiência que teve na prefeitura do município, quais serão suas bandeiras na Casa e como pretende exercer o mandato no Parlamento estadual.  Confira a entrevista:

O pai do senhor foi prefeito por três vezes da cidade de Rio Novo do Sul. Qual o tamanho da influência que ele teve para o senhor entrar na vida pública?

Meu pai foi na época o prefeito mais jovem do Espírito Santo e eu sou o filho mais velho, então, naturalmente, a gente recebe a influência, mas eu entrei na política um pouco tarde e se dependesse do meu pai eu não entraria porque aos 52 anos de idade ele não quis mais sair como candidato. As três vezes que se candidatou, ganhou e deu a missão por encerrada. A partir daí ele desencorajou a gente a entrar na política porque ela foi se desvirtuando e ele achava que a gente tinha que ter uma profissão e que poderia ser um desgaste muito grande para a família. Então, se dependesse dele, eu não teria entrado.

Você tem experiência na iniciativa privada como médico e, atualmente, ocupa o cargo de vice-prefeito de Rio Novo do Sul. O que você traz dessas experiências para a Assembleia?

Sempre tive a experiência pública e privada porque além de ser professor da Ufes desde 1978 eu sou médico do trabalho e fui funcionário durante 35 anos de Furnas Centrais Elétricas aqui no Espírito Santo, onde acabei me aposentando. Tenho experiência em órgãos públicos, numa estatal e na iniciativa privada porque sempre tive consultório, clínica. Exerci a gastroenterologia, clínica geral e a endoscopia digestiva.

Eu acho que os dois setores me deram conhecimentos que eu posso utilizar para fazer um excelente mandato. Nesse período fui gestor, e tenho curso de formação em Gestão Pública, em determinado momento, quando fui secretário de Saúde de Vitória, pois Luciano Rezende saiu para disputar uma eleição. O Luiz Paulo (prefeito), que sempre gostou de fazer um secretariado técnico, foi à universidade e me recrutou para terminar um período de nove meses. Deu pra fazer muita coisa, trabalhamos muito, fizemos unidade de saúde, expansão do programa de saúde da família, PA da Praia do Suá, criação do PA de São Pedro, porque lá não tinha, levei essa ideia para o Luiz Paulo e ele encampou e botamos para funcionar. Deu uma vontade maior de participar da vida pública porque a gente pode trabalhar não o individual, mas o coletivo e podemos ajudar muitas pessoas.

No Hospital das Clínicas fui eleito pelo voto dos funcionários, alunos e professores para exercer dois mandatos de diretor-geral. O orçamento é três vezes maior que a maioria dos municípios pequenos. Tivemos que trabalhar muito para colocar o hospital em dia porque tinha muitas dívidas, passava por uma crise sem precedentes e conseguimos fazer um excelente trabalho. Deixamos o hospital equacionado, sem dívidas, produzindo e contamos com a colaboração imensa da sociedade capixaba, da minha esposa, da minha família. Houve um movimento para que a sociedade civil pudesse participar da vida do hospital e nos auxiliar. Foi montada a Associação dos Amigos do Hospital das Clínicas para buscar recursos na iniciativa privada pra gente resolver alguns gargalos que o financiamento público não conseguia fazer.

Com relação a Rio Novo, como meu pai foi prefeito três vezes e eu sou nascido e criado lá tenho uma relação imensa com a população. Tenho um trabalho social de quarenta anos prestado naquela região e sempre foi desejo da população que um dia eu fosse prefeito, mas eu sou casado, minha esposa é médica e trabalha em Vitória, então ficava muito difícil assumir uma responsabilidade na prefeitura porque precisa de horário em integral, assim construímos uma via de reformulação para reconstruir a cidade.

Buscamos uma liderança jovem que pudesse nos representar e levar esse projeto à frente. Essa pessoa foi detectada, fizemos uma prospecção correta. Ele se interessou pelo projeto, tem uma história política, pois o avô foi prefeito e nos colocamos a disposição para ajudar, mas ao final, aos 48 minutos do segundo tempo, ele tomou a decisão desde que eu fosse o vice. Não era meu objetivo, mas para ajudar a cidade e na administração, como queria participar e já estava envolvido no projeto aceitei e me tornei vice. Tenho sido um vice muito atuante, dois dias por semana a gente despacha juntos na prefeitura. Somos parceiros e felizmente ele está fazendo uma administração maravilhosa de organização das contas e agora vai começar as obras.

A prefeitura está saneada, não deve nada a ninguém, mas o grande objetivo naquele momento não era nem participar da política, era auxiliar o município, mas a liderança viu na nossa pessoa uma maneira de ficar mais seguro porque sou mais experiente, com mais tempo de vida e conhecimento. Ele era muito novo, tinha só 29 anos, agora está com 31 anos e está dando conta do recado, mas o objetivo não era ser vice. Eu condicionei a ele que queria ajudar o município, já tinha me aposentado da universidade e que, dependendo da situação, ia colocar meu nome para ser avaliado como deputado estadual, que é a continuidade do projeto de resgate da região Sul, onde estou mais inserido, apesar de morar também em Vitória.

Eu tenho uma inserção muito grande nos municípios da Grande Vitória, pois fui diretor do Hospital das Clínicas e a gente abrange o Estado inteiro, mas a minha região é a Sul, e eu vejo que nós estamos muito ruins de representatividade, por isso me coloquei à disposição caso as pessoas achassem que seria realmente importante para representar a região, felizmente deu certo e nós vamos tocar o trabalho.

Entre os deputados eleitos o senhor foi o que obteve o menor número de votos (11.465). Acha que de certa forma isso aumenta a sua responsabilidade? Lembrando que na eleição passada o deputado Sergio Majeski (PSB) foi o que menos votos recebeu e nesta o que mais recebeu votos.

Professor Majeski era até do meu partido, o PSDB, depois ele saiu, teve uma proposta que a minha é um pouco semelhante à dele, que é fazer uma política diferente, mudar práticas políticas. Não estou chegando aqui para ser o mesmo do mesmo, sem desmerecer os colegas, com muito respeito, a gente quer fazer um mandato diferente e esse mandato diferente já começou na eleição. Se eu quero fazer uma política nova, diferente, teria que começar fazendo diferente, então não recebi um centavo de dinheiro público, não queria receber, o PSDB não deu nada para a gente, deu para outros candidatos, mas para mim não. Eu não tive doação de empresa, de particular, nada. Eu, junto com minha família, pegamos um valor e poderíamos tirar até tanto. A princípio, este valor estipulado foi até R$ 100 mil, que tirei de uma aplicação, uma reserva para que pudesse disponibilizar para fazer a campanha, mas não era para gastar tudo, mas gastar menos. Eu me elegi gastando R$ 40 mil.

Todas as pessoas que me ajudaram foram de forma voluntária, foram para as ruas, pediram votos, meu eleitorado é de relação pessoal. É muito difícil você ter 11.500 votos aproximadamente de eleitor amigo direto, de pessoas que você liga e conversa. Isso aumenta a responsabilidade porque são formadores de opinião, pessoas que votaram de modo consciente, não teve eleitorado massa de manobra, de pessoas que nem sabem em quem votou. Às vezes tem candidato que tem 3, 4, 5 mil votos em determinada região, porque existe uma estrutura para que esses votos apareçam, mas no meu caso não foi assim, foi voto a voto. Eu tive voto em 76 municípios do Espírito Santo. São amigos, clientes, pacientes, ex-alunos da faculdade de medicina, pois fui professor por 37 anos na Ufes e tenho uma quantidade imensa de ex-alunos médicos pelo Estado.

Meus votos foram pingando e esses votos com certeza vão exigir mais de mim como deputado e espero corresponder, fazer um mandato profícuo, bom, que as pessoas possam se orgulhar deste mandato. Eu não estou aqui para fazer carreira política, estou na política, mas na verdade sou professor, sou médico e quero usar minha experiência para servir nestes quatro anos que serei deputado. O futuro a Deus pertence.

Majeski deu um exemplo maravilhoso, ele foi o menos votado e hoje foi o mais votado. Ele tem uma estrutura, uma maneira de fazer política um pouco diferente da minha maneira, apesar dos princípios serem os mesmos. Eu sou mais velho, a gente vai aprendendo muitas coisas, então sou mais conciliador, trabalho mais com a diplomacia, mas sendo firme, duro, mas de um jeito um pouquinho diferente, não é aquele estilo do Majeski, mas o meu estilo.

Quais os maiores desafios para o Espírito Santo atualmente e como o senhor, eleito deputado, pode ajudar a resolvê-los?

O Espírito Santo é um Estado saneado. O governador Paulo Hartung está deixando-o em boas condições. Tem equilíbrio fiscal, as instituições funcionando, temos uma série de indicadores que mostram que tem progredido do ponto de vista educacional, até o nível de homicídios caiu, mas temos muitos desafios. O primeiro é manter o Estado organizado, as contas em dia para que a gente tenha recursos para fazer investimentos. Governo nenhum pode se sentir um bom governo se não fizer investimentos maciços em saúde, educação, infraestrutura e segurança pública. Eu sou da área da saúde e da educação, ainda tenho uma ligação com o meio rural porque sou da roça, do interior, meu pai é produtor rural e eu também tenho uma propriedade, sou até filiado à Selita. Tenho um sítio, tiro leite e mando para lá, então conheço o meio rural, mas o meu trabalho é voltado mais para a área da saúde porque acho que tem muita coisa que pode ser feita, assim como na educação.

Na saúde, por exemplo, que hoje é um gargalo, é um caos. Eu acho que houve um equívoco quando em gestões anteriores, não é essa gestão, já vem de algum tempo, trabalhou-se muito na centralização dos atendimentos e com isso as unidades de saúde e hospitais do interior foram praticamente desativados. Quero discutir esse tema, já levei ao governador Renato, que viu com bons olhos para que a gente possa tentar descentralizar. Esses pequenos hospitais de pequenas cidades, que hoje estão fechados e que têm 30, 40 leitos, temos que botar pra funcionar, com isso vamos diminuir o acúmulo de pacientes nos grandes hospitais, principalmente, na Grande Vitória, que é uma região difícil. Hoje, os pacientes saem lá de Montanha, Ecoporanga, de tudo quanto é lugar e bate tudo em Vitória. Eu acho que a gente pode descentralizar. Evidentemente, a alta complexidade tem que ser feita em centros maiores, porque você não pode montar uma estrutura de alta complexidade num local que não tem demanda, tem que ser um local que congregue os pacientes mais graves. Aqueles pacientes de baixa e média complexidade têm que ser resolvido no próprio interior.

Na área da educação eu sou muito otimista e defensor da Escola Viva, acho que é um avanço. A introdução do projeto foi tumultuada porque a coisa não foi feita com preparo no início para que nós pudéssemos implantar, mas também se não começa a coisa não avança. Hoje, a gente já vê vários municípios com escola em horário integral e eu acho que é a solução para o nosso problema desde que a escola tenha estrutura, os professores sejam valorizados, as crianças possam ter um plano de trabalho, aula, aprendizado, em horário integral, inclusive, com duas línguas. Acho que o brasileiro tem que aprender a falar inglês da mesma maneira que fala português porque isso abre portas, fronteiras e nós vamos alavancar o desenvolvimento no momento que a educação estiver mais desenvolvida. Naturalmente, vamos participar das comissões, analisar o orçamento, fazer as audiências públicas, para que a gente possa fazer um mandato que contribua para o Estado.

Entre suas propostas na campanha está a de “contribuir para resgatar a credibilidade do Poder Legislativo e para reduzir as despesas com a manutenção das suas atividades”. Já fez alguma avaliação de proposta neste sentido?

O tamanho do estado brasileiro é grande, a gente gasta muito à toa. Não posso adiantar o que é possível fazer porque não conheço a estrutura da Casa, não sei o que é possível fazer, mas no meu gabinete pretendo trabalhar com um número menor de assessores, são 19, mas acho que com 10 ou 11 há um bom trabalho e também economizar os gastos da verba de gabinete, despesas com gasolina, veículo. Eu tenho uma ideia que é possível e que vai dar para fazer, o corporativismo às vezes atrapalha, a gente sabe disso, mas acho que o indivíduo tem que fazer o que está certo, isso não diminui os outros.

As pessoas têm que ter em mente que o Brasil está mudando, as pessoas querem novidades que tratem a coisa pública como deve ser tratada porque é um dinheiro público. Nós pagamos nossos impostos e isso tem que voltar como benefício para a população, temos que dar o exemplo e eu pretendo, quero procurar fazer essa economia. O problema é que ao fazer essa economia, conversando com colegas deputados, o recurso volta para o orçamento da Assembleia, você não pode pegar esse recurso e, por exemplo, o deputado X economizou tantos milhões e colocar isso na educação em uma escola que está precisando, o deputado não tem essa autonomia. O recurso que você economizou volta para o orçamento da Assembleia, entra na conta comum e, às vezes, o dinheiro se perde. A gente vai conversar com o presidente, com as pessoas que vão dirigir a Casa para ver se existe a possibilidade de esses recursos, uma vez economizados, possam realmente ser empregados em benefício de algumas instituições que estão necessitando para que a gente possa perceber que essa economia tem valor, é importante.

O senhor foi eleito na coligação do futuro governador Renato Casagrande, que acabou fazendo maioria na Assembleia (17). Como será sua relação com o Executivo? Vê alguma dificuldade de o governador aprovar matérias com essa nova composição da Assembleia? O PSDB elegeu três deputados, o senhor já conversou com eles?

Sim, conversei com Vandinho e Pastor Mansur, fizemos reuniões, temos uma relação boa. Primeiro, gostaria de dizer que sou um deputado independente de tudo, de governador, de quem ganhou. Eu tenho um apreço muito grande pelo governador Paulo e pelo Renato, que são meus amigos particulares, inclusive, sou médico da família do Renato, tenho uma relação forte com ele do ponto de vista pessoal, tenho o maior respeito pelo trabalho dele. Eu acho que a relação do deputado Mameri, representando o Legislativo com o chefe do Executivo vai ser a melhor possível.

Com relação aos projetos, a gente vota de acordo com os interesses da comunidade. Eu sou independente, tenho liberdade para colocar os pontos de vista que acho importante. O que for a favor da população e for legal, em benefício do povo, vou apoiar. Eu não acho que o governador Renato vai ter dificuldades em aprovar os seus projetos desde que sejam bons. Se tiver projeto ruim você pode ter a maioria, mas provavelmente não vai conseguir passar. Eles estão pensando em melhorar as condições, não vão votar projeto que seja prejudicial à população. Eu acho que Renato está experiente, maduro, já tem uma experiência no Executivo, acredito que ele vai fazer um mandato muito melhor do que fez há quatro anos quando saiu, apesar de eu considerar que ele foi um bom governador. Agora ele vai ser melhor ainda, porque vai partir de um ensinamento que ele mesmo teve no momento que ficou quatro anos à frente do Executivo.

O senhor tem interesse em ocupar alguma comissão da Casa? Pretende protocolar algum pedido de CPI ou Comissão Especial?

Minha proposta é trabalhar muito e ser muito efetivo, porque é possível que eu tenha um mandato só. Não sei se vou continuar na política porque estou aqui para colaborar. Se as coisas estiverem indo muito bem, fluindo, se eu achar que estou ajudando, colaborando, fazendo parte de quem está fazendo a diferença posso continuar, mas se a gente perceber que as coisas não estão do jeito que a gente imagina, não.

Sou uma pessoa totalmente independente, não tenho ambição política. Eu me propus a fazer desses quatro anos os melhores quatro anos possíveis e para isso quero trabalhar muito. Gostaria de estar na Comissão de Saúde, que já tem Doutor Hércules e outras pessoas que tenho relação muito boa, e Finanças. Tenho interesse de participar até da Mesa Diretora, não nos cargos diretivos, mas a Mesa tem outros cargos como a vice-presidência, ou na Corregedoria, que a gente pode colaborar. Estou me colocando à disposição, quero ser um deputado presente para que a gente possa trabalhar e no final dizer que valeu à pena. Esse é o objetivo.

 

 

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