Artigo de Luiz Trevisan

Elixir da longa vida

Quem passou dos 60 anos e já não tinha muito ânimo para buscar a fonte da juventude recebeu a melhor notícia possível dos últimos tempos

Por | 23.03.2019

Luiz Trevisan

Quem passou dos 60 anos e já não tinha muito ânimo para buscar a fonte da juventude recebeu a melhor notícia possível dos últimos tempos. A partir de agora, o sujeito somente será considerado idoso após os 75 anos. É o elixir da juventude brotando da canetada de uma sociedade italiana de saúde. A justificativa da Sociedade Italiana de Geriatria é que a modernidade tecnológica, a cultura da prevenção e os avanços da medicina deixam qualquer “ex-idoso” em condições de boa produtividade.

Especialistas brasileiros corroboram e replicam a tese. Beleza, numa manhã de primavera o sujeito de 68 anos acorda e descobre que deixou a categoria dos idosos. E já pode sair em busca do tempo perdido, retomar alguns planos de consumo, empreender aquela viagem aos mares do Sul, quem sabe até uma invernada no gelado Canadá. O perigo dessa nova faixa etária, associada ao aumento da expectativa de vida, é também virar argumento na reforma da Previdência, para prorrogar ou retirar benefícios. Ou, de imediato, que bancos e companhias aéreas acabem com um raro privilégio do sujeito acima dos 60 anos, que é a preferência na fila da...preferência. E o bullying correndo à parte.

Outra surpresa associada ao admirável mundo novo surgiu em Castelo, uma cidade acanhada, muito religiosa e historicamente conservadora. Reportagem de jornal revelou a história de uma mulher que mora há cinco anos na mesma casa com o ex e o atual marido. E parece que convivem muito bem, a julgar por fotos e declarações do trio. Coisa surpreendentemente moderna, ainda que a mulher garanta manter “relacionamento de irmão“ com o ex.

Então, de onde menos se espera... A cultura paroquial de Castelo é sobejamente conhecida. Para ter ideia, no auge do rádio a cidade se orgulhava do título de ser a localidade que, proporcionalmente, possuía o maior número de ouvintes da Rádio Aparecida do Norte, emissora católica. Era ladainha o tempo todo vazando das janelas das casas. Lideranças, prefeitos e vereadores, antes de uma decisão difícil, iam consultar o pároco. Por essa época, passou pela matriz um padre espanhol linha-dura que fez fama no município. Num determinado período, mulheres só tinham acesso à igreja usando vestido comportado abaixo dos joelhos, nada de decote e véu obrigatório. Imagine a pregação que o conservador frei espanhol aplicaria à surpreendente família castelense de agora.

Numa época de onda conservadora, quando amigos e familiares se evitam ou se agridem pelas redes sociais, e num grau de tolerância quase zero no cotidiano, o comportamento do trio castelense configura uma relação onde parecem prevalecer dois ingredientes raros hoje em dia: amizade e irmandade. Em certo aspecto, lembra um pouco o famoso romance-novela-filme “Dona Flor e seus dois maridos”, do baiano Jorge Amado. Na ficção, Dona Flor coabita com o ex, este na condição de morto saudoso que retorna. É algo assim sobrenatural fake. Já o trio castelense sob o mesmo teto comprova que a arte e vida se imitam surpreendendo.

Aprovando ou não, a inusitada convivência dessa família castelense traz novos ares à cidade de imagem quase medieval, a começar pelo nome. Agora, o que soa mesmo velho, repetido e manjado é o caso extraconjugal de conhecido parlamentar capixaba. Foi ao ar repleto de ingredientes comuns como chantagem, ameaças, tráfico de influência, empreguismo, uso do patrimônio público. Coisa bastante corriqueira e associada a outro elemento que deve ser considerado: gostando ou não, político com fama de mulherengo e beberrão costuma ter vida longa nas urnas.

 

 

 

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