Artigo de Pedro Paulo Biccas Jr.

Renova Marataízes, pero no mucho

Segundo Adriano Gianturco, Coordenador do Curso de Relações Internacionais "A corrupção é a consequência de um sistema onde se criam problemas para vender soluções".

Por | 27.04.2019

Por:  Pedro Paulo Biccas Jr.

Nos últimos dias tem-se veiculado uma enquete política sobre o próximo pleito ao executivo municipal da pérola capixaba. Entre velhos conhecidos da Justiça Eleitoral e o prefeito Tininho Batista, o menino da padaria, como é referenciado Breno Viana pelas redes sociais, aparece como via alternativa, no vácuo da velha política. O rapaz alça voos ambiciosos sob o mote de renovar Marataízes. Mas será mesmo que é assim que ele tem se portado?

Sua primeira conquista política, a presidência do diretório tucano da cidade, já deu o tom da conversa. O rapaz apoiou César Colnago em sua campanha, perdida, a Deputado Federal. Este por sua vez, presidente estadual do ninho tucano, destituiu, por intervenção, o então presidente Rudinho de Souza para indicar o moço. Sejamos francos, uma pessoa que já inicia sua carreira conseguindo tramar um tombo destes no ex-deputado, filho de Valci Ferreira, pode ser tudo, menos ingênuo.

Segundo Adriano Gianturco, Coordenador do Curso de Relações Internacionais "A corrupção é a consequência de um sistema onde se criam problemas para vender soluções". Neste sentido, fica nítida a estratégia do grupo político por detrás de Breno Viana: lançar a pecha de velha política em seus adversários para vender sua candidatura ao mercado político como solução local, ao melhor estilo Odorico Paraguaçu. 

Por nunca ter se envolvido diretamente em eleições locais, Breno é apontado como novidade. Entretanto é necessário um olhar mais atento à pintura desta tela, perceba:

No último mês, Breno realizou diversas reuniões políticas em sua casa. Queimando a largada, o rapaz se mostrou atrapalhado no discurso. Lançou-se candidato antes da hora, reafirmou o controle do partido e ainda pediu voto. Em uma prova de amadorismo dantesca, na reunião dita de núcleo duro, um gaiato gravou toda essa pendenga e não tardou em entregar a prova material de campanha antecipada aos algozes do menino. 

O grupo de Renova Marataízes estava presente em peso. Nele figuram os inseparáveis Alessandro Estêvão e Flávio Ayub, empresários (sic) que passam a vida nos cafés da cidade especulando sobre o mercado, mas não apresentaram, até hoje, o produto de seus atos intelecto-laborais. Ávidos por um espaço de poder, eles representam tanto a renovação política que na última segunda-feira (23) estava um lá jantando com ninguém menos que Luciano Paiva, ex-prefeito de Itapemirim, afastado e condenado pela Justiça por corrupção e lavagem de dinheiro.

Outra figura ilustre do comício foi um empresário local, também ligado a Deputada Norma Ayub, que foi preso em 2018 na Operação Pedra no Caminho, da Lava Jato. Aliás, o próprio Breno é alvo de investigação da Polícia Federal, tendo este, comparecido à superintendência da PF em Cachoeiro acompanhado de seu advogado Nilton Santos, na última semana.

Não bastasse tantos figurões sentados à mesa de quem promete renovação, Breno ainda conta com todo staff da família Vieira, do ex prefeito Ananias, preso em 2013 pela operação Derrama, junto com Norma Ayub.

Ainda nas lições do professor Adriano Gianturco, PhD em Teoria Política e Econômica, fica o alerta: "nós temos uma escolha: nos surpreender ou compreender, reclamar ou estudar, analisar e conseguir prever. O momento é econômica e moralmente grave. Mas nada que a ciência política não explique para ir além de meros achismos, paixões e partidarismos de torcida".

Marataízes merece sorrir. Torço para que a cidade que cantou e dançou atrás do trio elétrico não entoe, desta vez, a canção de Cazuza em 2020: eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades...

 

Pedro Paulo Biccas Jr.

Jornalista e Filósofo | Especialista em Markting Político

Registro Profissional 0003813/ES

28 999254522

 

 

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