Em Rio Novo do Sul

Municípios da região Sul debatem segurança pública

Rondas nas comunidades rurais, videomonitoramento e mais policiais estão entre as reivindicações apresentadas em audiência 

Por | 23.08.2019

Por Titina Cardoso - ALES

 

 Foto: Titina Cardoso

O Teatro Municipal de Rio Novo do Sul ficou lotado na noite da última quarta-feira (21). Foram muitos os interessados em discutir como anda a segurança pública na cidade e em toda a região litoral sul do Estado. 

Aumento do efetivo policial, instalação de câmeras de videomonitoramento, rondas nas comunidades rurais, mais viaturas e o armamento das guardas municipais foram as principais reivindicações da população à Comissão de Segurança da Assembleia. O colegiado está percorrendo todo o interior do Estado, colhendo as demandas dos capixabas.

Violência no campo 

Às margens da BR-101, o município de Rio Novo do Sul sofre com o tráfico de drogas, assaltos e prostituição, segundo os moradores. Muitos roubos acontecem nas comunidades rurais, principalmente durante a noite, quando os agricultores estão dormindo e têm sua produção e seus animais roubados. Porém, o município conta com apenas dois policiais militares, segundo informações apresentadas pela população. 

“As cidades do entorno têm guarda municipal e Rio Novo do Sul só tem dois policiais para fazer atendimento. Essa é a desvantagem em relação a outros municípios”, destacou o vereador Carlinhos Bonadiman (PSDB), mais conhecido como Galão. “A segurança pública aqui é zero”, sentenciou. 

Zona rural

Para o também vereador Rodolpho Diirr (PSDB), “Rio Novo é um município pequeno com problemas de cidade grande”. A localização à beira da rodovia federal favorece o tráfico de drogas e os assaltos, segundo ele. Além disso, mesmo com uma pequena população, o local conta com mais de 20 comunidades rurais e apenas dois policiais não conseguem dar conta de monitorar toda a cidade. 

O vereador Darloni Laiber (Pros) também destacou a insegurança na zona rural e a necessidade de rondas nas comunidades. Ele relatou a violência a que os moradores do campo são submetidos: “As pessoas são amarradas e roubam tudo de suas casas”, contou.  

Para o prefeito da localidade, Thiago Fiorio (Pros), comunidade e poder público não devem pensar apenas no aspecto repressivo da segurança pública, mas de forma mais global. “Temos de pensar na origem da violência, no nosso dever de cuidarmos do social e da educação de nossas crianças. Não podemos falar de segurança se não falarmos de saúde, de assistência social e educação”, opinou. 

Ele disse que está articulando a criação do Conselho Municipal de Segurança Pública e do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM). O chefe do Executivo local informou, ainda, que a prefeitura abrirá um processo de licitação para a compra e instalação de câmeras para monitoramento das entradas e saídas do município. Segundo ele, essa parte não encontrará muitos obstáculos. O maior problema é manter o sistema de segurança. “Não temos dificuldade para equipar. Temos dificuldade para o custeio”, explicou Fiorio. 

Outros municípios 

A audiência pública contou com a participação de representantes de praticamente todos os municípios da região litoral sul. Daniel Cocki (PPS), vereador de Presidente Kennedy, que faz divisa com o Estado do Rio de Janeiro, abordou a necessidade de maior vigilância no local. “Nossa divisa está totalmente desguarnecida”, alertou. Ele sugeriu que a Polícia Militar utilize policiais da reserva para cobrir a falta de efetivo da instituição. 
Cocki também pediu uma audiência pública da Comissão de Segurança em Presidente Kennedy. O colegiado demonstrou interesse em ir até o município discutir os problemas mais a fundo. 

Já o secretário de segurança de Marataízes, Anderson Gouveia de Oliveira, defendeu o armamento das guardas municipais para auxiliar as polícias na manutenção da segurança. 

Autoridades 

A Comissão de Segurança compareceu em peso à audiência pública. Estiveram presentes o presidente do colegiado, Delegado Danilo Bahiense (PSL); o vice, Coronel Alexandre Quintino (PSL); além dos membros efetivos Capitão Assumção (PSL), Dr. Emílio Mameri (PSDB) e Luciano Machado (PV). Além do prefeito de Rio Novo do Sul, os prefeitos de Vargem Alta, João Altoé (PSDB), e de Iconha, João Paganini (PDT), também compareceram ao evento. 

Vereadores e secretários municipais da região também participaram do debate, além de autoridades policiais. 
De acordo com presidente do colegiado, as audiências no interior servem para que a comissão colha as demandas da população in loco. Ele afirmou que muitas demandas apresentadas ao longo da série de debates que vêm ocorrendo já estão sendo solucionadas pelo governo do Estado. Ainda segundo Bahiense, tudo o que está sendo discutido está sendo levado ao conhecimento do governador do Estado, Renato Casagrande (PSB).

A audiência em Rio Novo do Sul foi demandada pelo deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB), com o objetivo de conversar com a população e dialogar com os segmentos. “O tema segurança pública é muito sensível e muito sério. Nada melhor do que ouvir as pessoas. Quem sabe dos problemas locais é a população que vive nos municípios”, destacou o parlamentar, que é da cidade. 

Os parlamentares também aproveitaram para reafirmar a falta de efetivo que o Estado vem sofrendo. Para o vice-presidente da comissão, Coronel Quintino, a defasagem no quantitativo de policiais e nos salários dos servidores colocam o Espírito Santo em situação complicada. “O efetivo que nós temos hoje na PM é o mesmo que tínhamos há 20 anos. E a população praticamente dobrou”, comentou. Já na Polícia Civil, segundo Bahiense, há uma carência de quase 1.900 servidores. 

Segundo a comissão, todas as informações que estão sendo colhidas no interior do Estado vão compor relatórios que são analisados por todo o colegiado de Segurança para os devidos encaminhamentos. A comissão já esteve em Colatina, Cachoeiro de Itapemirim, Aracruz, Vila Velha, Linhares e Fundão. Os próximos debates serão em Guaçuí, Ecoporanga e Presidente Kennedy. 

 

 

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