Debate na Assembleia

Morte de jovens no ES supera média nacional

Tema foi discutido em audiência. Em 2017, taxa registrada foi de 86 jovens por 100 mil habitantes, enquanto média nacional era de 69,9, segundo o Atlas da Violência 2019

Por | 20.09.2019

Foto: Lissa De Paula

 

O extermínio da juventude, especialmente de jovens negros, no Brasil e no estado e a necessidade de políticas voltadas para a juventude foram temas de audiência pública promovida pela Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos na noite desta quinta-feira (19), no Plenário Dirceu Cardoso da Assembleia Legislativa. O evento é parte da 8ª Semana Estadual de Debate contra o Extermínio de Jovens.

O destaque foi o crescimento de mortes de jovens capixabas, que em 2017 cresceu 20% em relação a 2016. Ou seja, 86 jovens por 100 mil habitantes, enquanto o índice nacional é de 69,9 por 100 mil jovens, segundo revela o Atlas da Violência 2019, levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que traz dados sobre a violência em 2017.

Durante a audiência houve apresentações culturais de um grupo da Aldeia Caieiras Velha, tupiniquim de Aracruz e de Thaís do Gueto, 16 anos, do Coletivo Nísea Floresta, do Bairro de Barramares, Vila Velha, entre outras. 

Juventude negra

O mestrando em Saúde Coletiva na Ufes e representante do movimento LGBT Marcos Vinícius Cordeiro fez comentários sobre o Atlas da Violência 2019. Ele se mostrou apreensível, devido à situação política atual do país, com a divulgação dos homicídios em 2019, o que será feito somente em 2021. 

Cordeiro conceituou historicamente violência, homicídio, extermínio e genocídio para relatar os dados do Atlas da Violência. “Quando a gente olha para esses dados, vemos dois países. Um país para os negros e um país para os brancos”, afirmou. 

Segundo o Atlas, 75,5% das vítimas de homicídios no Brasil eram negras. Foram praticados 65.602 homicídios. Desses, 35.783 são de jovens, com aumento de 6,7% com relação a 2016 e de 37,5% em relação a 2007.

Ainda, entre 2007 a 2017, a taxa de homicídio de negros cresceu 33,1%, enquanto que a taxa entre os não negros cresceu 3,3%, revela o estudo do Ipea.

Para a juventude capixaba, esse índice aumenta para 86 por 100 mil habitantes, com crescimento de 20% em relação a 2016, enquanto que o índice nacional é de 69,9 por 100 mil jovens, de acordo com Cordeiro. 

Confira as fotos da audiência pública

Políticas públicas

O presidente do Conselho Estadual da Juventude do Espírito Santo (Cejuve), Miguel Intra, falou sobre a situação da juventude brasileira “num cenário em que a democracia está em xeque”. 

“A gente vê desmonte de representação popular e das políticas públicas. Venho colocar que o estado do Espírito Santo está muito aquém do ideal, principalmente quando falamos da população pobre, periférica, negra, indígena, quilombola, cigana e LGBT”, observou. 

Segundo Intra, há necessidade de uma política pública para incluir, ao invés de excluir, a juventude.  Ele defendeu que a Assembleia Legislativa participe da construção dessa política com, por exemplo, a proposta de um fundo estadual da juventude.

A gerente de Juventude da Secretaria dos Direitos Humanos, Fabrícia Barbosa, pontuou que o órgão busca realizar diálogo com os municípios para a construção de políticas públicas. Barbosa destacou a importância da audiência para a Semana da Juventude. 

Para o chefe de Articulação e Mobilização do Município da Serra, Igor Lopes, quando o governo federal corta bolsas de estudos, ele está lançando a juventude, principalmente os jovens da periferia, à criminalidade. De acordo com Lopes, a juventude tem conquistado algumas políticas públicas na Serra, o que resultando na diminuição da criminalidade.  

Desigualdade

Segundo a deputada Iriny Lopes (PT), a violência se dá em um momento em que a população brasileira passa por um processo de envelhecimento. Ela destacou os assassinatos da população jovem, de negros, de LGBT, de mulheres e lembrou da política em andamento para a liberação do porte de armas. Conforme disse, a violência cresce com o aprofundamento da desigualdade provocada pelo capitalismo.

“De nada nos adianta fugirmos ou nos isentarmos de enfrentarmos tão dolorosa realidade. O que nós precisamos é alterá-las com políticas que funcionem. Não podemos como poder constituído ficar de braços cruzados. Temos trabalho a fazer e devemos fazê-los com garra, esperança, fé e coragem”, enfatizou a deputada. 

Mesa

Além da deputada Iriny Lopes, participaram da mesa o representante do movimento LGBT Marcos Vinícius Cordeiro; o presidente do Conselho Estadual da Juventude do Espírito Santo (Cejuve), Miguel Intra; a gerente de Juventude da Secretaria dos Direitos Humanos, Fabrícia Barbosa; o chefe de Articulação e Mobilização do Município da Serra, Igor Lopes; e a subsecretária de Promoção e Proteção da Secretaria de Direitos Humanos Raiana Rangel.

 

 

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